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sexta-feira, julho 31, 2009

No cenário otimista, 16 mil mortes por gripe suína apenas no Paraná


O site com as planilhas de cenários pândemicos da Secretária da Saúde do Paraná me foi enviado pelo Átila Iamarino, do blog Rainha Vermelha:

http://www.saude.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=2423

Comparando os números divulgados no SEMCIÊNCIA com os números da Secretaria da Saúde do Paraná, concluo que tenho sido hiper-otimista:



LETALIDADE
OtimistaModeradoPessimista
1%2%1%2%1%2%


16.02932.05937.40274.80447.01994.039

Essas estimativas são apenas para o estado do Paraná.

Seria interessante se alguém conseguisse as planilhas da secretaria de saúde do estado de São Paulo.

Update: Tem algo errado com essas planilhas: a coluna das hospitalizações é identica à coluna da letalidade. Usar uma taxa de 1% de letalidade é muito, acho que deveria ser usada 0,05%, ou seja, apenas 800 mortes no caso otimista. É preciso avisar a Secretaria da Saúde do Paraná.


Musicalidade universal

World Science Festival 2009: Bobby McFerrin Demonstrates the Power of the Pentatonic Scale from World Science Festival on Vimeo.



Copiando descaradamente do Rainha Vermelha.

Seismossauros em meu jardim


Leonardo Felix Kinouchi (vulgo meu filho de oito anos) ficou infeliz porque seu nome não aparece nem no Google e nem no Bing. Assim, este post representa o início de sua carreira.

Eu estava mostrando para ele o banner do blog Brontossauros em Meu Jardim, do Carlos Hotta. Leonardo observou: "Que pobre, não tem seismossauros!". Tive que olhar na wikipédia para saber o que é um seismossauro...

quinta-feira, julho 30, 2009

Porque o trend search do Blogpulse difere do Technorati?


Não tenho a menor idéia. Mas o Blogpulse diz que está havendo um amento de posts sobre gripe, enquanto que no Technorati (ver na barra lateral) o número de posts está decaindo.

Vemos também que o primeiro pico era exógeno mas o atual parece ser endógeno, na classificação de Crane e Sornette.

Mais uma evidência contra o sociodeterminismo


Acima: Rapaz faz cara de que não está conseguindo enxergar direito...



As pessoas tem uma tendência de gostar daquilo que fazem bem. Talvez as mulheres tenham mais facilidade para fazer tricô, crochê e enfiar linha em ponta de agulha do que os marmanjos. Essas atividades são culturais, mas a facilidade para fazê-las vai além do simples treinamento. Talvez isso explique porque as mulheres são melhores no uso de microscópios (tenho certeza que alguém vai reclamar sobre esta frase)...

Enviado por Sandro Reia:


Homens enxergam melhor de longe e mulheres, de perto; efeito é atribuído à seleção natural.

LONDRES - Homens e mulheres veem diferente por uma questão de programação cerebral derivada de quando os antepassados masculinos se dedicavam predominantemente a caçar e os femininos a colher, segundo um estudo publicado no British Journal of Psychology.

As conclusões do estudo, dirigido pela psicóloga Helen Stancey, são o resultado de uma série de experiências que demonstraram que os homens têm uma maior capacidade de discernir à longa distância e as mulheres focalizam melhor a curta distância.

A pesquisa, segundo os autores, sugere que o cérebro dos homens e das mulheres evoluiu de maneira diferente por causa das tarefas definidas que tinham os indivíduos de cada sexo para garantir a sobrevivência do grupo.

Os homens eram os caçadores e tinham que forçar a vista para as distâncias longas, em busca de presas, o que gerou uma seleção a favor da capacidade para distinguir de longe, enquanto as mulheres, em sua condição de coletoras de frutos ou raízes, se adaptaram melhor à visualização de objetos ao alcance das mãos.

Para demonstrar que há uma diferença de percepção visual em função do sexo, os pesquisadores pediram a um grupo de 48 homens e mulheres que marcassem com um ponteiro laser o eixo central de várias linhas traçadas em uma folha de papel.

O resultado foi que os homens eram mais precisos quando o papel se situava a uma distância de 100 metros e que as mulheres se aproximavam mais do ponto central quando se situava a 50 centímetros.

"Já existia evidência de que houve caminhos separados na maneira de processar cerebralmente a informação visual. Nossos resultados sugerem que a relacionada com as distâncias curtas favorece as mulheres e a relacionada com as distâncias longas os homens", disse Stancey, professora do Hammersmith and West London College.

Nova evidência contra o sociodeterminismo


Sociodeterministas acreditam que a apreciação artística, por exemplo, a apreciação musical, é uma característica puramente cultural e convencional. O fato das pessoas em geral não apreciarem música dissonante é visto como apenas originário da educação e cultura pessoal. As pessoas poderiam ser educadas para apreciar música dissonante, bastaria ter gosto artístico mais apurado.

Eu concordo que as pessoas podem ser "treinadas" para apreciar música dissonante. As pessoas podem ser treinadas para quase tudo, na verdade: os sociodeterministas são parentes do Skiner, e treinamento behaviorista funciona. Mas isso não significa que as pessoas sejam tábulas rasas, que não existem propensões default, influenciadas por fatores biológicos.

Chimpanzés não treinados parecem preferir música consonante. Mas eu imagino que seria possível treinar um chimp para preferir música dissonante. Afinal, somos todos antropóides treinados...


Estudo indica que chimpanzés são capazes de apreciar música

Pesquisa com filhote revelou que animal prefere ouvir música harmoniosa.

Uma pesquisa realizada por cientistas japoneses indica que os chimpanzés podem ter uma capacidade inata de apreciar música agradável - algo que se acreditava que fosse exclusivo dos humanos.

Um artigo meio panfletário que escrevi contra o sóciodeterminismo pode ser encontrado aqui (Mônica Campitelli gosta muito desse artigo):





quarta-feira, julho 29, 2009

O pânico faz bem à Saúde?


Bom, para a Saúde com "S" maiúsculo parece que faz:


Unidades devem oferecer 2 leitos para pacientes com sintomas de gripe.
Segundo ministério, rede federal oferece cem leitos para casos do vírus.

Uma epidemia testa o sistema de saúde, expondo suas falhas. O tema da Saúde recebe mais atenção da mídia, novas verbas são alocadas, a importância do sistema de saúde público fica mais aparente.

Vejamos algumas coisas boas que o pânico sobre a gripe suína está trazendo para o Brasil:

1. Novos leitos de UTI (existe uma deficiência crônica no sistema quanto a isso).
2. Mais verbas para o Ministério da Saúde.
3. Maior educação da população referente a higiene e conceitos básicos de saúde.
4. Foi chamada a atenção sobre a mortalidade altissíma da gripe sazonal (duas vezes e meia maior que nos EUA).
5. Experiência e treinamento dos agentes de saúde no enfrentamento de uma epidemia.
6. Aprimoramento do plano de enfrentamento da Influenza do Ministério da Saúde.
7. Transferência de tecnologia de encapsulamento de Tamiflu para laboratórios brasileiros.
8. Transferência de tecnologia para produção de vacinas.
9. Aumento da capacidade de monitoriamento e volume de exames de influenza no Brasil.
10. Aprimoramento das condições de higiene e acompanhamento de vírus na suinocultura.

Se eu pensar um pouco mais, acho que faço mais uma lista de dez itens. Na área de divulgação científica, acho que uma boa fração de pessoas agora sabe a diferença entre um vírus e uma bactéria... Na área científica, a gripe suína é um prato cheio para estudos de modelagem computacional de epidemias (minha aluna de mestrado Ariadne está trabalhando nisso).

Ou seja, a gripe suína fez bem para a Saúde do Brasil. Mas para isso foi necessário um certo pânico. Se ela passasse desapercebida e minimizada pela mídia, nem todos os benefícios da lista teriam sido alcançados...

Físicos brasileiros publicam sobre biologia na Nature

Um belo exemplo de porque os físicos são importantes para a Biologia (basicamente porque os biólogos são muito conservadores e os físicos são mais cool e aventureiros).

Da Revista FAPESP, via blog SEMRUMO, via Anel de Blogs Científicos (sim, um caminho tortuoso - eu recebo a Revista FAPESP mas não tinha lido isso):


Especiação sem barreiras

Trabalhando com simulações em modelos matemáticos, um grupo de pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos acaba de propor um mecanismo de formação de novas espécies biológicas que não envolve barreiras físicas ou isolamento geográfico. O estudo foi publicado na edição do último dia 16/7 da revista Nature.

De acordo com o primeiro autor do artigo, o professor Marcus Aloizio Martinez de Aguiar, do Instituto de Física Gleb Wataghin da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o mecanismo mais conhecido de formação de novas espécies biológicas é a chamada especiação geográfica: barreiras ecológicas impedem a troca de genes entre indivíduos de uma mesma população que, ao longo do tempo e submetidos a distintas pressões de seleção natural, acabam por gerar espécies diferentes.

Evolução sem seleção natural

Segundo ele, a principal contribuição do novo estudo é ter sugerido um mecanismo de especiação que prescinde das barreiras espaciais e da seleção natural, mas cujos resultados são compatíveis com os padrões de abundância de espécies observadas na natureza.

"O número de espécies existentes atualmente é muito grande - cerca de 100 milhões -, o que indica que a especiação é a regra e não uma exceção. Portanto, os mecanismos de especiação devem ser muito simples, embora sua compreensão não seja trivial. Um deles, sem dúvida, é o processo de isolamento geográfico, mas é improvável que seja o único. Nosso estudo aponta para a existência de um mecanismo diferente, em consonância com as observações experimentais", disse Aguiar à Agência FAPESP.

O artigo foi publicado pelo físico e colegas das universidades de Boston e do Arizona e do New England Complex Systems Institute, nos Estados Unidos.

Segundo Aguiar, uma das hipóteses aceitas para explicar a diferenciação das espécies com mecanismo de especiação geográfica é o avanço das geleiras nas eras glaciais, que formavam barreiras e isolavam grupos de animais por longos períodos.

"Mas alguns estudos confirmaram casos, como o da formação de certas espécies de aves, que não tinham correlação com a glaciação, sugerindo que deveria haver outros mecanismos. Aparentemente, o isolamento geográfico não dá conta de observar toda a variedade de espécies observada na natureza", apontou.

Não são as barreiras, mas a distância, o que importa

Utilizando modelos matemáticos, os pesquisadores simularam populações de indivíduos idênticos distribuídos no espaço de forma a permitir a reprodução entre aqueles que não estivessem muito distantes uns dos outros. Mas, a partir de certa distância, essa reprodução não ocorria.

"Conseguimos determinar que existe uma distância crítica para que um indivíduo escolha um parceiro para a reprodução, mesmo sem a existência de barreiras. O tamanho dessa vizinhança onde as escolhas são feitas foi um dos parâmetros do modelo", explicou Aguiar.

Além do fator relacionado à distância, o estudo determinou também que a reprodução só ocorre quando os indivíduos têm um certo grau de semelhança genética.

"Além da distância espacial, há também uma distância genética crítica. O que mostramos é que, se a distância espacial ou genética for muito grande, não há formação de novas espécies. Existe uma região de parâmetros na qual a especiação ocorre e uma outra na qual não ocorre", disse.

Congestionamento natural

No modelo desenvolvido, cada vez que a especiação ocorria os cientistas analisavam quantas espécies eram formadas e quantos indivíduos apareciam em cada espécie.

"Esses padrões de números de indivíduos e de espécies são mais ou menos universais. As análises estatísticas dessas quantidades se mostraram bastante compatíveis com o que é observado na natureza. Esse foi um dos pontos fortes do estudo", disse Aguiar.

Segundo ele, o mecanismo de especiação proposto, que não envolve o processo de seleção natural, é conhecido como mecanismo neutro. "Trata-se de uma formação espontânea de espécies, sem nenhuma pressão seletiva. É um processo natural que aparece simplesmente por conta de uma formação de padrões", disse.

O surgimento de espécies sem barreiras físicas específicas, segundo o estudo, pode ser comparado aos pesados fluxos de tráfego de veículos, que podem formar engarrafamentos mesmo em casos isentos de acidentes ou barreiras.

O artigo Global patterns of speciation and diversity, de Marcus Aguiar e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com


Fonte: Agência Fapesp, artigo de Fábio Castro


Teoria da conspiração: vírus da gripe foi inventado pelos produtores de álcool gel




Mauro Copelli me disse que estou muito hipocondríaco com a gripe suína. Não é verdade, dado que minha rotina não mudou em nada: por exemplo, eu fui para Campinas para encontrar o Mauro Rebelo e conversar sobre o II EWCLiPo. Aproveitei para visitar a FNAC no Shopping do Pinto do Português. Eu tinha a ilusão de que a FNAC seria tipo assim uma Livraria Cultura (em Montpellier, na década de 80, ela era).

Reconheço que comprei um tubinho de álcool gel (é mais fácil para limpar as mãos das crianças do que obrigá-los a ir para a pia antes de almoçar). E ando tentando comprar Tamiflu, mas isso tá difícil.

Um tubinho de álcool-gel está prá lá de R$ 7 reais. Pelos meus cálculos, o volume de vendas e o lucro com o álcool gel é bem maior que o lucro da Roche com o Tamiflu. O que leva a concluir, seguindo os parâmetros dos conspirólogos, que são os produtores de álcool gel os responsáveis pela engenharia genética que criou o vírus.

Tenho uma teoria (mais uma) sobre a origem do comportamento obsessivo-compulsivo de lavar as mãos e ter medo de germes. Somos todos filhos de pessoas que sobreviveram à gripe espanhola. Somos filhos de pessoas predispostas a pânico. Provavelmente uma fração desproporcional de pessoas com baixo nível de ansiedade morreram em 1918-1919. Os normais morreram, sobraram os mutantes...

terça-feira, julho 28, 2009

Neurobiologia de plantas na USP

Pois é, Ariadne, acho que temos que correr nesse mestrado!

Do site Inovação Tecnológica:

Experimentos realizados no Laboratório de Física Aplicada e Computacional (Lafac) da USP, demonstraram que as plantas possuem sinais elétricos que podem, inclusive, ser medidos.

Nos testes realizados com a espécie Epipremnum pinnatum, popularmente conhecida como Jibóia, foram detectados sinais emitidos em pequenas frequências, da ordem de microvolts.

"Na verdade utilizamos dois tipos de plantas, a Sansevieria trifasciata, conhecida como Espada de São Jorge e aEpipremnum pinnatum. "A Jibóia foi a que apresentou os resultados mais satisfatórios", conta a pesquisadora Paula Cristina Pécora. O trabalho feito por Paula teve a coordenação dos professores Ernane José Xavier Costa e Euvaldo Cabral Junior.

Atividade elétrica das plantas

Os experimentos para detectar e mensurar a atividade elétrica de plantas tiveram início quando Cabral Junior teve acesso a um estudo que comprovava a emissão de pulsos elétricos em células de plantas.

"De acordo com a pesquisa, cientistas conseguiram medir potenciais elétricos usando microagulhas inseridas nas folhas", conta Paula. A partir daí, o cientista teve a idéia de começar os experimentos com plantas.

"Uma outra notícia que temos de um experimento semelhante a este teria sido realizado na Alemanha, na Universidade de Munique. Lá, os cientistas também analisaram o comportamento das células das plantas mediante a diferentes tipos de estímulo. Portanto, um processo invasivo", descreve o prof. Xavier.

Cabine blindada

Para a pesquisa, os cientistas construíram uma cabine blindada especial capaz de isolar a planta de qualquer outro sinal do ambiente. Além disso, o processo de aferição foi totalmente não invasivo. É que os pesquisadores adaptaram um aparelho de eletroencefalograma (EEG) para os testes.

"Desde novembro do ano passado fizemos várias aferições dos sinais. Ao mesmo tempo, construímos um circuito gerador de ruído na cabine, o que possibilitou distinguir os sinais da planta em relação ao ambiente mostrando que os sinais eram muito diferentes do ruído", explica Paula.

Para medir os sinais elétricos, os eletrodos foram colocados nas folhas da planta. Em seguida foram processados, fora da cabine, por softwares desenvolvidos no próprio Lafac.

Melhoria de plantas cultivadas em estufas

Esta pesquisa pode abrir o caminho para outras pesquisas na área de botânica e para estudos de interesse agronômico, como avaliar a resposta elétrica das plantas a certos agrotóxicos e produtos similares, por exemplo.

"Podemos imaginar melhores maneiras de monitorar o comportamento e a emissão de sinais de plantas cultivadas em estufas. Testar quais os melhores ambientes, intensidades de luz, som, etc.", avalia o professor Xavier. Outra aplicação imaginada pelo professor é a avaliação do comportamento de plantas de acordo com fertilizantes ou defensivos agrícolas empregados.

Até o final de 2009 o estudo deverá ser publicado na revista internacional Plant, Cell & Environment. Além de Paula, Xavier e Cabral Júnior, integram a equipe de pesquisa do Lafac os pesquisadores Agriano Tech, Aldo Cespedes Arce e Gustavo Atzingen.

A USP e a gripe suína


Pois é, perdi a aposta com o Nelson por apenas uma semana. Ela incluia três itens (para o dia 22 de julho):

1. Que a gripe suína estaria nas primeiras páginas dos jornais.
2. Que haveria filas nos hospitais.
3. Que eventos e outras atividades comunitárias seriam cancelados.

Perdi a aposta, mas acredito que existem males que vem para o bem. Agora vou ter tempo para revisar o artigo com a Mônica e escrever o projeto Universal para o CNPq sobre um modelo de gripe suína...


Aulas serão retomadas no dia 17 de agosto.
Escolas públicas também prorrogaram o fim das férias.

A Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) decidiram adiar o início das aulas do segundo semestre para o dia 17 de agosto por causa da nova gripe. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (28).

Veja a cobertura completa sobre a nova gripe

A mudança no cronograma de aulas segue orientação da Secretaria Estadual de Saúde. Em nota, a Unicamp afirma que "a recomendação [da secretaria] visa reduzir a transmissão do vírus influenza A H1N1 no Estado de São Paulo e é válida para todos os estabelecimentos da rede pública de ensino, nos níveis fundamental, médio e superior."

A USP informou em nota que o adiamento do início das aulas vale para os cursos de graduação, pós-graduação e extensão. Os calendários escolares deverão ser reformulados posteriormente.

No entanto, as aulas de reposição nos cursos mais atingidos pela greve de funcionários e professores da USP, que durou quase dois meses e terminou no fim de junho, serão realizadas conforme o programado.

A universidade anunciou também o cancelamento da quarta edição da Feira de Profissões, que seria realizada nos dias 4, 5 e 6 de agosto, no Memorial da América Latina.

Escolas públicas e particulares

Os 5,3 milhões de alunos de ensino fundamental e médio da rede estadual também voltarão às aulas somente em 17 de agosto. Segundo o secretário Paulo Renato de Souza, cerca de 20% das escolas estaduais tinham retomado as atividades na semana passada e nesta segunda-feira (27). No entanto, ele determinou que as aulas fossem suspensas.

A decisão vale também para os professores da rede estadual de ensino. “É o recesso escolar. A direção e a secretaria precisam estar funcionando, mas os professores não precisam comparecer nas escolas neste período", disse o secretário.

A Prefeitura de São Paulo também decidiu nesta terça acatar a recomendação da Secretaria de Estado da Saúde e adiar o retorno às aulas na rede municipal para o dia 17 de agosto.

O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (SIEEESP) fez a mesma recomendação nesta terça para que as escolas particulares adiem a volta às aulas até o dia 17 de agosto



JupiterWeb na Desciclopédia

Funcionamento do sistema

Planeta em que foi inspirado o nome da entidade
Planeta em que foi inspirado o nome da entidade

Desde de meados da década de 1990, a USP instaurou o sistema JupiterWeb, conhecido também como LuciferWeb como forma de matricula para os alunos de graduação. Basicamente todos os alunos da USP acordam as 7 da manha do dia de matricula e ficam em estado agonizante até as 10 da noite, ou quando conseguirem acabar de se matricular em todas as matérias. Só Deus, caso ele exista, sabe como o sistema LuciferWeb funciona. Estudos mais recentes afirmam que se trata de uma mistura de jo-ken-pô com tele-sena, comandado virtualmente por Sauron, o Senhor dos Anéis, diretamente de Mordor na Terra Média.

[editar]Como escapar do JupiterWeb?

Tipica aluna tentando escapar da JupiterWeb
Tipica aluna tentando escapar da JupiterWeb

Não há como escapar do JupiterWeb! Se você é ou pretende ser aluno da USP, vai passar aproximadamente 1/3 de sua vida tentando acessar o sistema e se matricular nas matérias que você quer cursar. Sabendo que tudo depende da sua sorte ou que Deus vá com a sua cara, é comum descobrir após algum tempo que o Jupiter não te deu grande parte das matérias que você queria, e se você conseguiu, provavelmente elas irão sumir misteriosamente da sua grade horária em algum momento.

Sobre cooperação e competição


A noção de se usar ecossistemas como uma metáfora para sistemas econômicos pode parecer bizarra. Afinal, a companhia ideal tem sido há muito pensada como uma máquina suavemente funcionando e sendo conduzida à objetivos específicos sob a direção de um onisciente, onipotente funcionário executivo chefe (CEO). A metáfora de companhias como espécies - alimentando-se do dinheiro dos consumidores e interagindo como em um ecossistema - traz algumas mudanças importantes. Primeiro, CEOs terão que se acostumar a pensar suas companhias não como máquinas mas mais como organismos vivendo em comunidades, o que muda a natureza de suas visões econômicas. Segundo, CEOs terão que perceber que têm muito menos controle sobre o destino de suas companhias do que gostariam de acreditar.

Esta mudançaa no modo que líderes de negócios vêm seu mundo leva a um paralelo notável com mudanças recentes no pensamento dos ecologistas. Basicamente, é um afastamento da visão que encara o mundo como simples, previsível e rumando para o equilíbrio; é um reconhecimento que o mundo é complexo, imprevisível e está longe do equilíbrio. É também uma superação da visão de que a competição cabeça-a-cabeça é a forçaa fundamental que dá forma às comunidades ecológicas e de negócios. A maioria dos negócios têm sucesso se outros também são bem sucedidos. Competição é parte do quadro, é claro, mas longe de ser a única parte. Cooperação e construção de redes mutuamente benéficas são importantes também. Bradenburger e Nalebuff descrevem esta estratégia conjunta com o termo co-opetição, o qual é também o título de seu livro [Lewin, Complexidade, 1997].

Antes de Darwin, o que era enfatizado por seus seguidores atuais era precisamente o funcionamento cooperativo harmonioso da natureza orgânica, como o reino vegetal fornece aos animais alimento e oxigˆenio, e animais suprem plantas com adubo, amônia e ácido carbônico. Mas logo depois que as teorias de Darwin foram geralmente aceitas, essa mesma gente mudou de rumo e começou a ver em todo lugar nada mais que competição. Ambas as visões são justificadas dentro de certos limites, porém ambas são igualmente unilaterais e estreitas.

A interacão de corpos na natureza não-vivente inclui ambos harmonia e choques; em seres vivos, tanto cooperação consciente e inconsciente como consciente e inconsciente competição. Por conseguinte, no que respeita à Natureza, não é aceitável arvorar apenas a bandeira unilateral da luta. É também inteiramente pueril pretender resumir toda a múltipla riqueza da evolução histórica e complexidade na magra e unilateral frase ‘luta pela existência’ (Engels, Dialética da Natureza).

A precursor of the sciences of complexity in the XIX century

The sciences of complexity present some recurrent themes: the emergence of qualitatively new behaviors in dissipative systems out of equilibrium, the aparent tendency of complex system to lie at the border of phase transitions and bifurcation points, a historical dynamics which present punctuated equilibrium, a tentative of complementing Darwinian evolution with certain ideas of progress (understood as increase of computational power) etc. Such themes, indeed, belong to a long scientific and philosophical tradiction and, curiously, appear already in the work of Frederick Engels at the 70's of the XIX century. So, the apparent novelity of the sciences of complexity seems to be not situated in its fundamental ideas, but in the use of mathematical and computational models for illustrate, test and develop such ideas. Since politicians as the candidate Al Gore recently declared that the sciences of complexity have influenced strongly their worldview, perhaps it could be interesting to know better the ideas and the ideology related to the notion of complex adaptive systems.
Comments:28 pages, no figures, in Portuguese
Subjects:Popular Physics (physics.pop-ph); Physics and Society (physics.soc-ph)
Cite as:arXiv:physics/0110041v1 [physics.pop-ph]

Somos alces ou humanos?


Roberto Takata do blog Gene Reporter não gostou do meu post sobre o fato de que a "mão invisível" de Adam Smith é um caso especial e não geral em dinâmicas competitivas. Como eu gosto de debater com o Takata, que é um cara bastante perspicaz, reproduzo aqui o artigo original do Robert H. Frank no New York Times. Acho que Roberto está certo em observar de que a teoria de jogos pode mostrar que o mercado é irracional. Mas como a teoria de jogos também tem sido aplicada à dinâmica evolucionária, talvez economia e ecologia sejam duas instâncias de uma teoria mais geral de dinâmicas competitivo-cooperativas.

Me parece que Frank cita Darwin não a partir de sua teoria biológica específica, mas sim pelo fato de que Darwin enxergou melhor que Adam Smith o fenômeno da Corrida da Rainha Vermelha, ou seja, de que o que é importante não são os patamares absolutos de desempenho mas sim o diferencial competitivo entre os agentes, o que genericamente implica em maiores custos para apenas se manter um pouquinho a frente dos demais. E que essa corrida muitas vezes produz resultados nefastos para o grupo, em vez de benéficos.

Takata afirmou que não há garantias de que agências reguladoras sejam mais racionais do que a sabedoria das hordas (o mercado). Bom, eu tenho minhas dúvidas: acho o código de trânsito mais racional do que o coletivo dos motoristas e pedestres. Também acho o código de trânsito benéfico para a sociedade e não me importo de pagar impostos para que o mesmo seja implementado.

Embora eu seja um partidário da teoria de inteligências coletivas, ainda reconheço que o Mercado, embora possua inteligência, não possui auto-consciência. De modo que não seria surpresa se um agente regulador fosse mais consciente do que o Mercado, concorda?

Quem regula os reguladores? Quem regula as leis do trânsito ou a Anvisa? Bom, eu acho que é a sociedade como um todo. Se houver exageros ou falhas desses agentes reguladores, a sociedade reclama e acontece um melhoramento incremental.

Agora, se dependesse apenas dos motoristas, ainda estaríamos dirigindo sem cinto de segurança, não é mesmo?



By ROBERT H. FRANK
Published: July 11, 2009
New York Times

IF asked to identify the intellectual founder of their discipline, most economists today would probably cite Adam Smith. But that will change. Economists’ forecasts generally aren’t worth much, but I’ll offer one that even my youngest colleagues won’t survive to refute: If we posed the same question 100 years from now, most economists would instead cite Charles Darwin.

Darwin, renowned for the theory of evolution, was a naturalist, not an economist, and his view of the competitive struggle was different from Smith’s in subtle but profound ways. Growing evidence suggests that Darwin’s view tracks economic reality much more closely.

Smith is celebrated for his “invisible hand” theory, which holds that when greedy people trade for their own advantage in unfettered private markets, they will often be led, as if by an invisible hand, to produce the greatest good for all. The invisible hand remains a powerful narrative, but after the recent economic wreckage, skepticism about it has grown. My prediction is that it will eventually be supplanted by a version of Darwin’s more general narrative — one that grants the invisible hand its due, but also strips it of the sweeping powers that many now ascribe to it.

Smith’s basic idea was that business owners seeking to lure customers away from rivals have powerful incentives to introduce improved product designs and cost-saving innovations. These moves bolster innovators’ profits in the short term. But rivals respond by adopting the same innovations, and the resulting competition gradually drives down prices and profits. In the end, Smith argued, consumers reap all the gains.

The central theme of Darwin’s narrative was that competition favors traits and behavior according to how they affect the success of individuals, not species or other groups. As in Smith’s account, traits that enhance individual fitness sometimes promote group interests. For example, a mutation for keener eyesight in hawks benefits not only any individual hawk that bears it, but also makes hawks more likely to prosper as a species.

In other cases, however, traits that help individuals are harmful to larger groups. For instance, a mutation for larger antlers served the reproductive interests of an individual male elk, because it helped him prevail in battles with other males for access to mates. But as this mutation spread, it started an arms race that made life more hazardous for male elk over all. The antlers of male elk can now span five feet or more. And despite their utility in battle, they often become a fatal handicap when predators pursue males into dense woods.

In Darwin’s framework, then, Adam Smith’s invisible hand survives as an interesting special case. Competition, to be sure, sometimes guides individual behavior in ways that benefit society as a whole. But not always.

Individual and group interests are almost always in conflict when rewards to individuals depend on relative performance, as in the antlers arms race. In the marketplace, such reward structures are the rule, not the exception. The income of investment managers, for example, depends mainly on the amount of money they manage, which in turn depends largely on their funds’ relative performance.

Relative performance affects many other rewards in contemporary life. For example, it determines which parents can send their children to good public schools. Because such schools are typically in more expensive neighborhoods, parents who want to send their children to them must outbid others for houses in those neighborhoods.

In cases like these, relative incentive structures undermine the invisible hand. To make their funds more attractive to investors, money managers create complex securities that impose serious, if often well-camouflaged, risks on society. But when all managers take such steps, they are mutually offsetting. No one benefits, yet the risk of financial crises rises sharply.

Similarly, to earn extra money for houses in better school districts, parents often work longer hours or accept jobs entailing greater safety risks. Such steps may seem compelling to an individual family, but when all families take them, they serve only to bid up housing prices. As before, only half of all children will attend top-half schools.

It’s the same with athletes who take anabolic steroids. Individual athletes who take them may perform better in absolute terms. But these drugs also entail serious long-term health risks, and when everyone takes them, no one gains an edge.

If male elk could vote to scale back their antlers by half, they would have compelling reasons for doing so, because only relative antler size matters. Of course, they have no means to enact such regulations.

But humans can and do. By calling our attention to the conflict between individual and group interest, Darwin has identified the rationale for much of the regulation we observe in modern societies — including steroid bans in sports, safety and hours regulation in the workplace, product safety standards and the myriad restrictions typically imposed on the financial sector.

Ideas have consequences. The uncritical celebration of the invisible hand by Smith’s disciples has undermined regulatory efforts to reconcile conflicts between individual and collective interests in recent decades, causing considerable harm to us all. If, as Darwin suggested, many important aspects of life are graded on the curve, his insights may help us avoid stumbling down that grim path once again.

The competitive forces that mold business behavior are like the forces of natural selection that molded elk. In each case, we see instances of socially benign conduct. But in neither can we safely presume that individual and social interests coincide.

Robert H. Frank, an economist at Cornell, is a visiting faculty member at the Stern School of Business at New York University.